Os idosos estão frequentemente entre os grupos prioritários para a vacinação — e não à toa. Durante a pandemia, eles também figuravam entre as populações de maior risco. Mais do que uma questão de idade avançada, essa vulnerabilidade tem uma explicação biológica: não é só a nossa pele que envelhece com o passar dos anos; o sistema imune também sofre mudanças, perdendo progressivamente sua eficiência num processo denominado imunossenescência. É justamente por isso que a vacinação regular, como a vacina anual contra a gripe, se torna indispensável para proteger esse público.
Conforme um artigo publicado na Geriatrics, Gerontology and Aging (GGA), revista científica oficial da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, o envelhecimento é um processo que envolve complexas mudanças celulares e moleculares, incluindo um declínio generalizado das funções imunológicas denominado de imunossenescência. “As consequências clínicas da imunossenescência incluem uma maior suscetibilidade às infecções respiratórias, neoplasias e doenças cardiovasculares”, diz o texto.
“Com o avançar da idade, as células do sistema imune inato e adaptativo exibem piora de função generalizada e um número reduzido de células T naïve (virgens). Além disso, durante a imunossenescência, há também presente uma pior resposta a vacinas e aumento de doenças infecciosas, tumores e autoimunidade.”
Isso não significa que as vacinas habituais não funcionem, mas indica que o sistema imunológico dos idosos responde com menor eficiência ao estímulo das vacinas. Diante disso surgiu a vacina High Dose (alta dose) contra a gripe. A HD3V tem alta concentração, com quatro vezes mais antígenos do que as vacinas da gripe de dose padrão. Segundo pesquisa divulgada no New England Journal of Medicine, a vacina, licenciada exclusivamente para indivíduos com 60 anos ou mais, foi 24% mais eficaz do que a de dose padrão na prevenção da gripe neste público. Isso a torna uma alternativa muito interessante no nosso arsenal contra a doença. Entretanto, no momento, a vacina de alta dose está disponível apenas no sistema privado.
Mas vale lembrar que a Campanha de Vacinação contra a Gripe no Brasil teve início em 28 de março e segue até 30 de maio, com foco nos grupos prioritários, como os idosos. E a vacina ofertada pelo SUS é comprovadamente eficaz e ajuda a reduzir casos graves causados pela gripe.
Doses de cuidado para quem mais precisa
Como os idosos têm o sistema imune fragilizado, além da vacinação contra a influenza, existem outros imunizantes essenciais para a manutenção da saúde. Entre eles estão:
- hepatite B: 3 doses conforme histórico vacinal;
- dT: 3 doses conforme histórico vacinal para proteção contra difteria e tétano;
- tríplice viral SCR: 2 doses para trabalhadores de saúde, conforme histórico vacinal, contra sarampo, caxumba e rubéola;
- pneumocócica 23-valente: 2 doses para idosos acamados e/ou institucionalizados, sem histórico vacinal, e povos indígenas sem histórico vacinal com pneumocócica conjugada;
- varicela: 2 doses para povos indígenas e trabalhadores de saúde, que não tiveram a doença ou na dúvida, conforme histórico vacinal;
- covid-19: 1 dose semestral para proteção contra formas graves da doença.
Além dos imunizantes disponíveis no SUS, os idosos podem se informar sobre as doses de proteção encontradas em clínicas privadas para reforço da saúde.
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