O que você precisa saber sobre o vírus Nipah

A doença já havia aparecido em 2023. Diferente da covid-19, surtos de Nipah costumam ser isolados

Luiza Adorna
Publicado em 02/02/2026 - 15:00

O mundo está prestes a viver uma nova pandemia? Os casos de Nipah registrados na Índia preocupam, mas é necessário fazer uma análise mais cuidadosa da situação. Segundo Luana Araujo, médica infectologista e epidemiologista, o vírus não é novo e já apareceu em 2023, também na Índia. “O risco de se tornar pandemia jamais é zero. Mas no caso do Nipah ele é bem pequeno”, explica. 

A chance de se expandir para além das fronteiras da Índia é pequena, de acordo com ela, porque o vírus exige um contato muito próximo para que a transmissão ocorra. Os surtos costumam ser isolados, com poucos casos, e depois o vírus desaparece da mesma forma que apareceu. Além disso, a vigilância dos países vizinhos já aumentou em portos, aeroportos e fronteiras. 

“Mas toda vez que ele aparecer vai gerar desconforto e medo”, destaca. Afinal, o Nipah é um vírus raro, que causa uma doença muito grave, com alta letalidade. Não há tratamento específico e nem vacina. Por isso, conforme a médica, mesmo com pequenas chances de se espalhar pelo mundo, o primeiro passo é manter um bom sistema de vigilância, capacidade diagnóstica precisa, controle de infecção que consiga conter esses pacientes e, principalmente, informação clara para todos. 

Clique aqui para conferir a opinião da Dra. Luana Araujo em vídeo.  

Mas o que é o Nipah? 

O Nipah é um vírus zoonótico, ou seja, ele circula entre animais, como os morcegos. O ser humano pode ser infectado e é capaz de transmitir esse vírus de pessoa a pessoa, sem a necessidade de nenhum intermediário. Quando se instala dentro do organismo humano, o vírus provoca uma reação inflamatória muito grave, principalmente no sistema nervoso central, como o cérebro e suas estruturas anexas. É o que se chama encefalite.  

“A encefalite do Nipah consegue progredir de uma maneira devastadora e, na maior parte dos casos, fatal”, explica Luana. Para exemplificar, a especialista compara: “o auge da letalidade da covid no Brasil foi de uma taxa de 6%. Mas quando falamos de Nipah, estamos falando de uma taxa de letalidade que varia de 40% a 75%. Essa variação depende do contexto do paciente e também do suporte oferecido.”

Quem sobrevive ao vírus pode ter sequelas muito graves, como sintomas neurológicos e cognitivos, alterações de comportamento e encefalites tardias e de repetição. Até o momento, cinco casos foram registrados na Índia, parte deles nos profissionais de saúde que entraram em contato com os primeiros infectados.  

Leia mais: Vacina do herpes-zóster é estudada para reduzir o risco de demência; entenda 

Referências:  

https://www.instagram.com/p/DUCIO6HiWbD/