Com a popularização dos medicamentos análogos de GLP-1, (que ficaram conhecidos como “canetas emagrecedoras”), pesquisas têm surgido para avaliar a possibilidade do uso para tratamento de outras condições além da diabetes e da obesidade. Uma delas é a Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), afinal, mulheres com esse problema também apresentam predisposição ao ganho de peso e resistência à insulina.
O que se sabe até agora
Apesar da crescente desses medicamentos, seu uso para o tratamento da SOMP ainda não é respaldado por estudos clínicos robustos,mas há bons indícios – e eles vêm pela perspectiva do controle do peso. Segundo um estudo publicado em 2024 no Journal of Diabetes and its Complications, medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 podem auxiliar na perda de peso e na regulação hormonal em mulheres que têm a síndrome.
De acordo com a conclusão do estudo, “o uso de agonistas do receptor de GLP-1 (GLP1-RAs) demonstra eficácia na redução do IMC, triglicerídeos, circunferência da cintura e testosterona total. Não houve diferença significativa nos níveis de colesterol total e HOMA-IR. Esses resultados indicam sua viabilidade como uma opção de tratamento favorável para o controle dos sintomas da SOMP em mulheres com obesidade.”
Uma revisão científica publicada no Journal of Clinical Medicine também indica que medicamentos do tipo, como a tirzepatida, podem representar uma nova estratégia terapêutica para a SOMP, particularmente no tratamento do ganho de peso e da sensibilidade à insulina. “No entanto, para confirmar isso, serão necessários ensaios clínicos robustos com tirzepatida em pacientes com SOMP”, afirmam os pesquisadores.
O estudo ainda pontua que outros tratamentos, como alterações no estilo de vida e cirurgia bariátrica, têm sido considerados no manejo da SOMP justamente pela regulação do peso. “Mulheres com SOMP frequentemente apresentam ganho de peso significativo, o que é um fator agravante, pois também contribui para a patogênese de seus problemas reprodutivos”, diz o texto.
Outra revisão, publicada em 2025 na Current Obesity Reports, destaca que os agonistas do receptor de GLP-1 (GLP-1 RAs), particularmente a semaglutida, também proporcionam perda de peso significativa e benefícios metabólicos. “Embora existam poucos dados direcionados especificamente à síndrome dos ovários policísticos (SOP), como era chamada a SOMP, estudos emergentes sugerem que os GLP-1 RAs podem melhorar o peso, a sensibilidade à insulina e a regularidade menstrual nesse grupo”, comentam os pesquisadores.
No entanto, assim como salientado nas demais pesquisas, as evidências para as intervenções na SOMP ainda são insuficientes.
O que é a SOMP?
A Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) é definida como uma desordem endócrina heterogênea comum, caracterizada por menstruação irregular, hiperandrogenismo (excesso de hormônios masculinos, como a testosterona), hirsutismo (crescimento excessivo de pelos grossos e escuros) e ovários policísticos. Conforme o Consenso de Rotterdam, diretriz internacional mais utilizada para diagnosticar a doença, a SOMP é detectada pela presença de pelo menos dois dos seguintes critérios no adulto e três critérios no adolescente:
- alteração dos ciclos menstruais: 9 ciclos ou menos no período de um ano;
- pelo menos uma manifestação clínica de hiperandrogenismo: acne, hirsutismo e alopecia de padrão androgênico ou hiperandrogenismo laboratorial, este caracterizado por elevação de pelo menos um androgênio;
- morfologia ovariana policística à ultrassonografia: mais de 12 folículos antrais (entre 2 e 9 mm) em pelo menos um dos ovários ou volume ovariano de ≥ 10 cm3.
Segundo o Ministério da Saúde, o tratamento envolve o controle dos sintomas hiperandrogênicos, regularização dos ciclos menstruais e proteção endometrial. Modificações do estilo de vida e controle das anormalidades metabólicas devem ser sempre recomendados. Além disso, concordando com as indicações dos estudos, o Ministério afirma que a perda de pelo menos 5% a 10% do peso corporal está associada à melhora da obesidade central, do hiperandrogenismo e das taxas de ovulação de mulheres com SOMP.
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