Como as novas drogas estão transformando o tratamento da obesidade

Estudos revelam novas possibilidades terapêuticas para o tratamento da obesidade, que já atinge um terço dos brasileiros
Luiza Adorna
Publicado em 12/02/2026 - 15:00

Um a cada três brasileiros é obeso. Os dados são do Atlas Mundial da Obesidade 2025, da Federação Mundial da Obesidade. Se, há algumas poucas décadas, lutávamos contra a desnutrição grave e se somente em 2025 saímos do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), é bastante intrigante compreender que, ao mesmo tempo, um terço de nossa população vive com obesidade.  Ainda segundo o relatório, mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo vivem com a doença — que pode causar problemas graves por si só, mas também aumenta o risco de desenvolvimento de outras condições arriscadas, como doenças cardiovasculares e câncer — e este número pode ultrapassar 1,5 bilhão até 2030. Para frear esse avanço, o incentivo à alimentação saudável e à prática de exercícios físicos segue sendo primordial. Mas hoje também existem diferentes drogas para apoiar o tratamento medicamentoso da obesidade. 

Novas medicações

Em junho de 2025, o Brasil deu o primeiro passo: o Mounjaro, medicamento para diabetes tipo 2 que tem como princípio ativo a tirzepatida, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para auxiliar na perda de peso. 

Mas ele não é o único. Em setembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou suas Listas Modelo de Medicamentos Essenciais (EML), acrescentando novos tratamentos para diabetes com comorbidades associadas, como a obesidade. Segundo a OMS, a diabetes e a obesidade são dois dos desafios de saúde mais urgentes no mundo. São mais de 800 milhões de pessoas vivendo com diabetes, metade delas não fazem tratamento. 

Os medicamentos listados pela OMS têm como base a semaglutida, a liraglutida e a tirzepatida. Mas também estão em estudo as medicações derivadas da amicretina, molécula que simula a ação de dois hormônios (GLP-1 e amilina) no corpo. De acordo com a pesquisa publicada na revista científica The Lancet, “em pessoas com sobrepeso ou obesidade, a amicretina mostrou-se segura e bem tolerada”. Segundo a Novo Nordisk, farmacêutica responsável, os resultados são encorajadores e a empresa deve avançar com o desenvolvimento clínico da substância, a fim de avaliar o potencial como mais uma opção terapêutica para controle de peso. 

A semaglutida, presente no Ozempic, Wegovy e Rybelsus, também foi reconhecida pela OMS como um tratamento recomendado para casos diabetes tipo 2 com comorbidades associadas. Aprovado desde 2023 no Brasil, o Wegovy é indicado para controle de peso em pessoas com obesidade ou com sobrepeso e pelo menos uma comorbidade.

Estudos promissores 

De acordo com uma pesquisa publicada na revista Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, após 68 semanas, os participantes tratados com semaglutida apresentaram uma redução média de peso corporal de 14,9%, em comparação a uma redução de apenas 2,4% no grupo placebo. “Além da perda de peso, o estudo também demonstrou melhorias significativas nos fatores de risco cardiometabólicos e no funcionamento físico autorrelatado pelos participantes”, diz o texto.  

Portanto, conforme os pesquisadores, os resultados reforçam a eficácia da semaglutida no controle de peso e na melhoria geral da saúde metabólica, destacando seu potencial como ferramenta terapêutica para obesidade. 

Obesidade no SUS

O trabalho do SUS no cuidado à obesidade envolve fazer o paciente entender que ele deve buscar uma vida saudável e não apenas a perda de peso. Além disso, são incentivadas outras atitudes, como manter uma alimentação baseada em alimentos in natura, com redução de ultraprocessados, praticar atividades físicas regularmente, fazer as refeições na companhia de amigos e familiares, assim como manter a saúde mental em dia. 

No entanto, nenhum medicamento para obesidade é fornecido pelo SUS. Muitos pacientes esbarram no acesso, já que o custo das novas medicações é elevado para a maioria da população. 

Para quem está em busca de melhorar a saúde, três publicações do Ministério da Saúde podem colaborar para a adoção de hábitos saudáveis:  

As intervenções cirúrgicas também podem ser indicadas em casos mais graves de obesidade, quando outros tratamentos não geraram respostas. Cada intervenção depende das necessidades e características individuais do paciente. Mas existe uma regra geral muito importante: qualquer alternativa deve ser escolhida com a avaliação, o apoio e o respaldo de uma equipe multiprofissional para definir o plano de tratamento mais adequado. 

Leia mais: Com promessa de emagrecimento, medicamentos falsificados oferecem riscos à saúde 

Referências:

https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/saude/audio/2025-03/um-cada-tres-brasileiros-vive-com-obesidade#:~:text=Aproximadamente%20um%20a%20cada%20tr%C3%AAs,que%20pa%C3%ADses%20como%20a%20China

https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/saude/audio/2025-06/mounjaro-anvisa-libera-uso-do-medicamento-para-emagrecimento#:~:text=A%20Anvisa%2C%20Ag%C3%AAncia%20Nacional%20de,tratamento%20do%20diabetes%20tipo%202

https://www.paho.org/pt/noticias/8-9-2025-oms-atualiza-lista-medicamentos-essenciais-para-incluir-tratamentos-chave-contra https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(25)01176-6/abstract

https://www.novonordisk.com.br/noticias-e-imprensa/busca-noticias/dados-de-amicretina-subcutanea-e-oral-da-novo-nordisk-sao-publicados-na-the-lancet.html#:~:text=Sobre%20a%20amicretina,adultos%20com%20diabetes%20tipo%202

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-quero-ter-peso-saudavel/noticias/2023/quais-sao-as-principais-recomendacoes-para-o-tratamento-da-obesidade-no-sus