A hipertensão, doença crônica de maior prevalência no mundo, não é mais uma condição restrita a adultos. De acordo com a Pesquisa Vigitel 2025, 30% dos brasileiros são hipertensos e muitos deles são crianças e adolescentes. Além disso, quase 400 pessoas morrem por dia no Brasil por conta da doença.
Mas por que a condição está se tornando comum entre os jovens? De acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), o problema cresce porque hoje as pessoas estão mais expostas aos fatores de risco, como sedentarismo e a ingestão excessiva de sal, gordura, carboidratos e álcool. Esses fatores favorecem a obesidade e, consequentemente, a hipertensão.
Segundo estudo publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, crianças e adolescentes com sobrepeso ou obesidade apresentaram maior risco de desenvolver hipertensão arterial, elevando a possibilidade de problemas cardiometabólicos na fase adulta. Outro fator de risco são os baixos níveis de aptidão cardiorrespiratória.
Por isso, conforme os pesquisadores, mudanças no estilo de vida têm um impacto sobre os níveis de pressão arterial e a redução de peso é uma importante meta na prevenção primária de eventos cardiovasculares. Uma redução de 5% no peso corporal, por exemplo, está associada a uma diminuição de 20% a 30% na pressão arterial.
Formas de prevenção
Segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, estima-se que cada hora passada em comportamento sedentário aumenta em 5% o risco cardiovascular, enquanto a prática regular de atividade física diminui a pressão arterial. Além disso, os exercícios, principalmente de lazer, reduzem em até 19% a incidência de hipertensão arterial e, nos pacientes com a condição, diminuem em cerca de 30% o risco de mortalidade.
Por conta desses fatos, torna-se imprescindível adotar um estilo de vida saudável. De acordo com o Ministério da Saúde, a indicação é:
- manter o peso adequado, se necessário, mudando hábitos alimentares;
- não abusar do sal, utilizando outros temperos que ressaltam o sabor dos alimentos;
- praticar atividade física regularmente;
- aproveitar momentos de lazer;
- abandonar o fumo;
- moderar o consumo de álcool;
- evitar alimentos gordurosos;
- controlar o diabetes.
O Guia Alimentar para a População Brasileira também é uma boa forma de se organizar para manter a alimentação equilibrada, uma das formas de controle da hipertensão arterial.
Diagnóstico e tratamento
A hipertensão é um dos principais fatores de risco para a ocorrência de acidente vascular cerebral (AVC), infarto, aneurisma arterial e insuficiência renal e cardíaca. Ou seja, monitorar a doença é fundamental para evitar diagnósticos tardios e situações graves.
Como é um problema genético em 90% dos casos, os jovens devem medir a pressão arterial no mínimo duas vezes por ano. Afinal, os sintomas costumam aparecer somente quando a pressão sobe muito, causando dores no peito, dor de cabeça, tonturas, zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramento nasal.
Embora a pressão alta não tenha cura, ela pode ser controlada com medicamentos indicados para cada paciente de forma individualizada. O programa Farmácia Popular, disponível em todo o Brasil, oferece as medicações.
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