A poliomielite é uma enterovirose que leva à paralisia motora, ou seja, é causada por um vírus que invade e se multiplica no intestino, sendo eliminado na saliva e nas fezes, e que ataca o sistema nervoso central. Apesar de o último caso confirmado ter sido registrado em 1991, na Região das Américas, a ameaça continua. Isso porque o vírus ainda circula no continente asiático e em países como como Afeganistão e Paquistão, onde permanece endêmica.
Vamos entender um pouco mais sobre esse organismo, sua forma de contágio, diagnóstico, tratamento e, o mais importante: prevenção. Leia mais a seguir!
O que é a poliomielite
A poliomielite, também chamada de pólio ou paralisia infantil, é uma doença contagiosa aguda causada por um vírus chamado poliovírus, segundo informações do Ministério da Saúde. Apesar de levar “infantil” em seu nome, ela pode infectar adultos que não tenham se vacinado na infância. A sua transmissão é rápida e tem ligação íntima com a higiene e as condições de saneamento básico.
Ela se dá por meio do contato direto com fezes infectadas, com secreções eliminadas pela boca das pessoas infectadas – seja falando ou tossindo e espirrando – ou por meio de objetos, alimentos e água contaminados com fezes de doentes ou portadores. A falta de saneamento, as más condições habitacionais e a higiene pessoal precária são fatores que favorecem a transmissão do poliovírus.
Sintomas e sequelas da poliomielite
Os sintomas mais frequentes são:
- Febre;
- Mal-estar;
- Dor de cabeça, de garganta e no corpo;
- Vômitos, diarreia ou constipação (prisão de ventre);
- Espasmos;
- Rigidez na nuca e até meningite.
A grande maioria das infecções não produz sintomas, como explica a Organização Pan-Americana de Saúde. De 5 a 10 em cada 100 pessoas infectadas com esse vírus podem apresentar sintomas semelhantes aos da gripe. Em 1 a 200 casos, o vírus destroi partes do sistema nervoso, causando paralisia permanente nas pernas ou braços. Embora muito raro, o vírus pode atacar as partes do cérebro que ajudam a respirar, o que pode levar à morte
Nas formas mais graves instala-se a flacidez muscular, que afeta em sua maioria um dos membros inferiores, e essa instalação súbita de deficiência motora geralmente vem acompanhada de febre. Ainda pode acontecer um assimetria na musculatura dos membros, diminuição ou abolição de reflexos profundos na área paralisada, sensibilidade conservada e persistência de paralisia residual após 60 dias do início da doença.
Se a infecção estiver dentro das estatísticas que acarretaram sequelas, então é porque houve a infecção da medula e do cérebro pelo poliovírus. Estas normalmente são motoras e não têm cura. As principais são:
- Problemas e dores nas articulações;
- Pé torto, conhecido como pé equino, em que a pessoa não consegue andar porque o calcanhar não encosta no chão;
- Crescimento diferente das pernas, o que faz com que a pessoa manque e incline-se para um lado, causando escoliose;
- Osteoporose;
- Paralisia de uma das pernas;
- Paralisia dos músculos da fala e da deglutição, o que provoca acúmulo de secreções na boca e na garganta;
- Dificuldade de falar;
- Atrofia muscular;
- Hipersensibilidade ao toque.
Diagnóstico e tratamento da poliomielite
O diagnóstico da poliomielite tem um caminho bastante específico: sempre que houver paralisia flácida de surgimento agudo com diminuição ou abolição de reflexos tendinosos em menores de 15 anos, é preciso voltar toda a atenção a essa possibilidade.
A avaliação clínica, embora fundamental, não é suficiente para um diagnóstico definitivo. É preciso realizar exames laboratoriais específicos, como o de líquor (cultura) e a eletromiografia, recursos importantes nessa jornada. O diagnóstico final será dado pela associação do quadro clínico à detecção de poliovírus nas fezes. Uma vez infectada, a vítima deve ser hospitalizada imediatamente e receberá tratamento de acordo com os seus sintomas, para remediá-los e trazer conforto, pois não há um medicamento específico para esse vírus.
Já em relação às sequelas da poliomielite, elas são tratadas através de fisioterapia, que irá realizar exercícios para ajudar a desenvolver a força dos músculos afetados e na postura. Medicamentos para aliviar as dores musculares e das articulações podem ser indicados, a depender do caso e da abordagem do médico. Infelizmente, é crucial lembrar que, apesar do tratamento, as sequelas de poliomielite são irreversíveis.
Vacinação contra a poliomielite
A vacinação é protagonista na prevenção, sendo uma das formas importante de proteção contra esse vírus que pode evoluir e causar grandes transtornos. Todas as crianças menores de cinco anos de idade devem ser vacinadas conforme esquema de vacinação de rotina e na campanha nacional anual determinada pelos órgãos públicos competentes.
A vacina contra pólio mudou a história da doença no mundo. Até a década de 1950, a doença varria o planeta, condenando milhares de crianças à paralisia, à incapacidade de respirar sem auxílio externo ou até ao óbito. O advento da vacina contra esse vírus erradicou a doença de quase a totalidade do mundo, fazendo com que a maior parte das pessoas – incluindo no Brasil – nunca tenham visto um caso de poliomielite. A vacina foi tão marcante por aqui que levou à criação do personagem que hoje é a imagem do nosso programa nacional de imunizações: o Zé Gotinha, que simbolizava a vacina oral que foi aplicada por muito tempo.
O esquema vacinal mudou a conduta a partir de 4 de novembro de 2024 e passou a ser exclusivo com vacina inativada poliomielite (VIP), sendo administradas três doses de VIP injetáveis aos 2, 4 e 6 meses de idade. Aos 15 meses, há um reforço com o referido imunobiológico. A mudança está de acordo com a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e faz parte do processo de erradicação mundial da pólio.
Mais do que nunca, é muito importante vacinar as crianças, afinal, poliomielite e paralisia infantil são a mesma coisa e essa é a única forma de prevenção da doença. A cobertura vacinal da poliomielite vem apresentando resultados abaixo da meta de 95% desde 2016.
É nossa responsabilidade não deixar esse número cair em um país que sempre foi referência quando o assunto são campanhas de vacinação. Faça sua parte para evitar uma doença que já apresenta caminhos para isso!
