Como parar de fumar? Conheça estratégias baseadas na ciência

Métodos como terapia de reposição de nicotina, intervenções comportamentais e medicamentos são suporte para quem enfrenta o vício
Luiza Adorna
Publicado em 28/05/2026 - 18:00

Parar de fumar, muitas vezes, exige mais do que força de vontade. Como o processo envolve dependência física e psicológica, a maioria das tentativas falha se não existir apoio e cuidado constante. A pessoa decidiu interromper o vício, mas seu corpo ainda pede pela substância. Por isso, conhecer as estratégias baseadas na ciência pode ajudar. 

Em alguns casos, a redução gradual de cigarros por dia é um bom caminho. Mas quando o paciente não consegue parar sozinho, é hora de buscar ajuda e tratamento, inclusive medicamentoso, se necessário. O tratamento do tabagismo no SUS, por exemplo, utiliza terapia de reposição de nicotina, como adesivo transdérmico e goma de mascar, e o cloridrato de bupropiona.

Entre as técnicas conhecidas, também está a abordagem cognitivo-comportamental. Neste caso, o paciente aprende um novo comportamento, através da promoção de mudanças nas crenças e desconstrução de vinculações comportamentais ao ato de fumar, combinando intervenções cognitivas com treinamento de habilidades comportamentais. 

Atualmente, nos 26 estados da Federação e no Distrito Federal, as secretarias estaduais de saúde possuem coordenações do Programa de Controle do Tabagismo. Clique aqui para conferir os contatos e endereços.

O que dizem os estudos? 

Diversas pesquisas buscam analisar os métodos disponíveis e avaliar técnicas inovadoras de tratamento, especialmente para casos difíceis. 

Conforme um estudo publicado na revista científica Journal of Advances in Medicine and Medical Research (JAMMR), parar de fumar não é um evento isolado, mas um processo que envolve uma mudança no estilo de vida, nos valores, nos círculos sociais, nos padrões de pensamento e sentimento e nas habilidades de enfrentamento de uma pessoa. A pesquisa, inclusive, concorda com a dinâmica realizada atualmente pelo SUS:

“O uso de farmacoterapia, incluindo terapia de reposição de nicotina e outros medicamentos, é uma técnica eficaz para parar de fumar. A terapia comportamental também é uma abordagem útil, incluindo entrevista motivacional, terapia cognitivo-comportamental e manejo de contingências. A combinação de farmacoterapia e terapia comportamental pode aumentar a taxa de sucesso na cessação do tabagismo.”

A revisão publicada na revista Cleveland Clinic Journal of Medicine concorda: intervenções comportamentais e tratamentos farmacológicos devem caminhar juntos. “O tratamento abrangente do tabagismo, que combina terapia farmacológica e comportamental, aumenta significativamente as chances de sucesso na cessação do tabagismo”, diz o texto. 

Os pesquisadores ainda destacam que, embora existam muitos tratamentos alternativos populares, eles não devem substituir ou atrasar o uso de terapias comprovadamente eficazes. Além disso, segundo eles, todo usuário de tabaco deve ter acesso a tratamento, independentemente do seu nível de disposição para parar de fumar. 

“O tratamento deve ser baseado na gravidade da dependência de nicotina, na probabilidade de desenvolvimento de sintomas de abstinência, no risco de recaída, nas comorbidades, nos recursos locais e nas preferências do paciente”, afirmam. Por isso, todos os casos devem ser analisados de forma individual, levando em consideração o histórico de cada paciente.

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