Acredita-se que apenas 3% dos brasileiros têm fibromialgia. Essa pode ser uma das razões pelas quais estes pacientes sofram preconceito – por falta de conhecimento sobre a condição. Conforme a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), de cada 10 pacientes com a doença, sete a nove são mulheres. Mas a síndrome também pode acometer homens, idosos, adolescentes e até mesmo crianças. Mas o que é a fibromialgia e por que é tão difícil diagnosticá-la?
Principais sintomas e diagnóstico
O principal sintoma é a dor generalizada, especialmente nos músculos e tendões. Fadiga, distúrbios do sono, ansiedade, alterações de memória e atenção, cansaço excessivo e depressão também são comuns, o que dificulta o diagnóstico até para os profissionais de saúde. Diante de queixas de dores crônicas e generalizadas que não respondem à medicação, é importante o acompanhamento com exames laboratoriais, de imagem e, se necessário, biópsias.
De acordo com o Ministério da Saúde, a medicina ainda não entende muito bem como a fibromialgia opera dentro do corpo humano. É necessário, portanto, mesmo com queixas comuns, ficar atento aos sinais para buscar ajuda. Sem tratamento, a doença pode evoluir para incapacidade física e limitação funcional, além de complicações com bastante impacto sobre a qualidade de vida do paciente.
Apesar de não avançar ao longo dos anos, a fibromialgia não tem cura. Mas o tratamento é essencial para controlar os sintomas e proporcionar qualidade de vida para o paciente.
Como buscar ajuda?
O Serviço Único de Saúde (SUS) disponibiliza atendimento integral. Segundo o Ministério da Saúde, na atenção básica são ofertados os cuidados clínicos por equipe multiprofissional, incluindo acolhimento, avaliação de história clínica e acompanhamento longitudinal, além de tratamento com práticas complementares, analgesia medicamentosa e não medicamentosa, cuidados em fisioterapia e sessões de acupuntura.
O médico indicado para o diagnóstico e tratamento da fibromialgia é o reumatologista. Um profissional especialista é essencial tanto para o diagnóstico quanto para a exclusão de outras condições parecidas. Afinal, muitas pessoas confundem a fibromialgia a um tipo de artrite e, com isso, realizam o tratamento inadequado. Mas, diferentemente do problema, a fibromialgia não causa nenhum tipo de inflamação ou dano aos músculos, tecidos, articulações ou órgãos.
Novas diretrizes
Em 2026, a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) publicou as novas Diretrizes Brasileiras para o Tratamento da Fibromialgia, com foco no monitoramento clínico, uso racional dos medicamentos e abordagens não farmacológicas. O objetivo foi atualizar as recomendações de 2010 e incorporar evidências científicas recentes.
As novas diretrizes recomendam:
- o uso de instrumentos validados para avaliar a gravidade da doença e a resposta ao tratamento, destacando ferramentas como o Revised Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQR) e o Fibromyalgia Survey Questionnaire (FSQ), ambos disponíveis em português;
- a educação do paciente e familiares, considerada fundamental para melhorar adesão ao tratamento, autonomia e qualidade de vida;
- exercícios físicos, especialmente programas que combinam atividade aeróbica e treinamento de força, associados à redução da dor e melhora funcional;
- terapias psicológicas, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e a terapia de aceitação e compromisso (ACT), eficazes no controle da dor, do sono e de sintomas emocionais;
- técnicas de neuromodulação e acupuntura, recomendadas para alívio da dor, sobretudo no curto prazo.
Para isso, o tratamento deve ser conduzido por equipes interdisciplinares, envolvendo médicos, fisioterapeutas, psicólogos, educadores físicos, nutricionistas e outros profissionais de saúde. Clique aqui para ler mais sobre as novas recomendações.
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