Quase 80% da população brasileira depende diretamente do SUS. A estimativa, divulgada pelo governo no segundo semestre de 2025, evidencia o alcance do sistema e o impacto que sua ausência teria sobre milhões de brasileiros, inclusive no campo da saúde mental.
É nesse contexto que se insere o teleatendimento para vício em jogos lançado em março pelo SUS. O serviço oferece suporte gratuito a pessoas com ludopatia, compulsão por apostas, e é direcionado a maiores de 18 anos, além de familiares e rede de apoio. Os atendimentos são realizados por vídeo, com duração média de 45 minutos, e cada paciente pode contar com até 13 encontros virtuais. A expectativa do governo é de 600 atendimentos por mês, com meta de chegar a 100 mil.
O serviço, que é gratuito e confidencial, oferece assistência especializada a pessoas com compulsão pelas conhecidas bets. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) e o Hospital Sírio-Libanês, com equipe multiprofissional formada por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com apoio de médico psiquiatra quando necessário.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) registraram até 3 mil atendimentos presenciais de pessoas com compulsão por jogos nos últimos anos. O teleatendimento surge, portanto, como uma estratégia para ampliar o acesso a esse cuidado e reduzir as filas do SUS.
“Mais um passo para acolher e ajudar essas pessoas a sair do sofrimento mental que está diretamente associado à compulsão nas apostas eletrônicas que, além de ser um problema de saúde mental, leva ao acometimento financeiro e problemas familiares”, salienta o ministro Padilha.
A iniciativa ganha ainda mais relevância diante de um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que aponta que cerca de 10,9 milhões de brasileiros apresentam comportamento de jogo de risco, criando problemas emocionais, familiares, econômicos ou profissionais relacionados ao hábito de apostar.
O levantamento também identificou que a menor renda pessoal está associada ao maior envolvimento em jogos, o que reforça a vulnerabilidade socioeconômica relacionada às apostas no país e evidencia a importância do serviço lançado pelo SUS.
Como pedir ajuda?
O interessado deve baixar o aplicativo Meu SUS Digital, disponível gratuitamente nas lojas Android e iOS ou na versão web. Depois, basta fazer login com a conta gov.br e, na página inicial, clicar em “Miniapps”. Em seguida, selecionar a opção “Problemas com jogos de apostas?” e responder a um autoteste com perguntas que ajudam a identificar sinais de risco e orientar o próximo passo.
Quando o resultado indicar risco moderado ou elevado, o encaminhamento para o teleatendimento é automático. Pelo aplicativo, também é possível acessar conteúdos informativos sobre sinais de alerta, prevenção e impacto das apostas na saúde mental. Além disso, a Ouvidoria do SUS atende pelo telefone 136, por teleatendimento, via formulário, WhatsApp ou chatbot no site do Ministério da Saúde.
Por que ludopatia?
Ludo vem do latim ludus e significa “jogo” ou “divertimento”. Patia vem do grego patheia/pathos e remete a “doença” ou “sofrimento”. A ludopatia é reconhecida como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e não deve ser subestimada. Se você conhece alguém que passa por isso, converse sobre as formas de buscar ajuda.
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Referências:
