Divulgada na segunda semana de fevereiro de 2026, a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz trouxe um dado importante: o rinovírus é uma das principais causas de hospitalização por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) nas crianças e adolescentes de até 14 anos. A SRAG é um conjunto de quadros gripais provocados por diferentes agentes infecciosos e que evoluem com comprometimento da função respiratória, provocando baixa saturação de oxigênio e falta de ar.
Ainda segundo o boletim, três das 27 unidades da federação apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, com tendência de crescimento a longo prazo: Acre, Amazonas e Roraima. Também já foram registrados 445 óbitos por SRAG em 2026, sendo 149 (33,5%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 246 (55,3%) negativos, e ao menos 10 (2,2%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os óbitos positivos, 24,2% são Influenza A, 4,0% Influenza B, 2,0% vírus sincicial respiratório (VSR), 16,1% Rinovírus, e 46,3% SARS-CoV-2 (covid-19).
Tratamentos da SRAG
Crianças menores de um ano, idosos acima de 60 anos, pessoas com imunossupressão ou com doenças respiratórias crônicas fazem parte dos grupos de risco da SRAG. Com esse público, a atenção deve ser redobrada.
Apesar de a SRAG englobar diferentes agentes causadores, é fundamental identificar o vírus responsável para escolher o tratamento adequado — e evitar medicamentos que possam piorar o quadro. Em casos de pacientes mais vulneráveis, ainda que sob atendimento ambulatorial, e em outros mais graves de influenza, por exemplo, pode ser indicado o uso de antivirais como o oseltamivir (Tamiflu).
Já no caso da covid-19, em pacientes do grupo de risco e em pacientes graves, há a possibilidade de indicação do uso da combinação de antivirais nimatrelvir e ritonavir (Paxlovid).
Em situações mais críticas, o médico pode avaliar a necessidade de antibióticos, corticoides ou suporte ventilatório, como o uso de oxigênio suplementar — indicado quando a saturação de oxigênio está abaixo de 90%. O ideal é buscar atendimento médico logo nos primeiros sintomas, especialmente se houver febre persistente. Cada caso é único e deve ser avaliado por um profissional.
Prevenção da SRAG
Embora cada caso exija uma abordagem individual, há uma estratégia que funciona de forma coletiva: a vacinação. Não existe uma vacina específica contra a SRAG, mas sim contra os vírus que podem causá-la. A vacina contra a gripe, por exemplo, está disponível gratuitamente pelo SUS nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e é a principal forma de prevenir complicações.
A vacinação contra a covid-19 também continua disponível e gratuita, com ampla indicação e poucas contraindicações. Já a vacina contra o VSR, agora disponível inclusive para gestantes, amplia a proteção dos grupos mais vulneráveis.
É importante lembrar: vacinas precisam de ampla adesão da população. Quanto mais pessoas vacinadas, menor a chance de o vírus circular e sofrer mutações.
Além disso, os bons hábitos adquiridos durante a pandemia seguem válidos: lavar as mãos com frequência, usar máscara ao apresentar sintomas e manter o uso de álcool em gel são medidas simples e eficazes. E, ao menor sinal de gripe, é fundamental evitar contato com pessoas do grupo de risco — esse também é um gesto de cuidado coletivo.
Referências:
https://agencia.fiocruz.br/sites/agencia.fiocruz.br/files/Resumo_InfoGripe_2026_05.pdf
