CAPS: uma conquista pública em prol da saúde mental

Quase 50 anos depois da Reforma Psiquiátrica, os Centros de Atenção Psicossocial se destacam pelo acolhimento em saúde mental
Luiza Adorna
Publicado em 10/06/2026 - 18:00

Em 1978, iniciava-se a Reforma Psiquiátrica, com a criação do Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM), responsável pelas denúncias sobre os abusos em hospitais psiquiátricos no Brasil. Quase 50 anos depois, o país conta com Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) espalhados por todo o território, uma conquista para a saúde mental pública. Os CAPS surgiram por determinação do Ministério da Saúde para substituir os hospitais psiquiátricos, oferecendo atendimento mais acolhedor e digno. 

Mas você sabe o que são os CAPS e a importância deles para a população? Eles são a principal porta de entrada para atendimento de saúde mental no SUS. Além de terem redirecionado o modelo de assistência em saúde mental no Brasil, esses centros são abertos à comunidade, totalmente gratuitos e oferecem equipes multiprofissionais, com médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, enfermeiros, entre outros.

Nos CAPS, são atendidas pessoas em intenso sofrimento psíquico, incluindo aquelas com uso prejudicial de álcool e outras drogas, com apoio no dia a dia e no processo de reinserção comunitária. Para isso, são oferecidos acompanhamento clínico e apoio psicossocial aos usuários e familiares, além de suporte a outros serviços de saúde.

Tipos de CAPS

Por estarem localizados em todas as regiões do país, os CAPS variam conforme o porte do município e as necessidades da população. São eles:

  • CAPS I: pessoas de todas as idades com intenso sofrimento psíquico em municípios acima de 15 mil habitantes;
  • CAPS II: pessoas de todas as idades com sofrimento psíquico intenso em municípios acima de 70 mil habitantes;
  • CAPS III: funcionamento 24h, inclusive fins de semana e feriados, com acolhimento noturno, para pessoas com sofrimento psíquico intenso. Existentes em municípios acima de 150 mil habitantes;
  • CAPS i: crianças e adolescentes com sofrimento psíquico intenso em municípios acima de 70 mil habitantes;
  • CAPSad (Álcool e Drogas): todas as pessoas em situações relacionadas ao uso prejudicial de álcool e outras drogas em municípios acima de 70 mil habitantes;
  • CAPSad III (Álcool e Drogas): todas as pessoas em situações relacionadas ao uso prejudicial de álcool e outras drogas. Funcionamento 24h, inclusive fins de semana e feriados, com acolhimento noturno. Existentes em municípios acima de 150 mil habitantes. 

Todos eles têm como objetivo prevenir internações de longa permanência, oferecer cuidado próximo da vida cotidiana e da comunidade e fortalecer os direitos e a cidadania das pessoas em sofrimento psíquico.  

Para receber atendimento, vá até o CAPS da sua região que funciona em regime de porta aberta, ou seja, não é preciso marcar consulta para o primeiro acolhimento. Também é possível chegar ao CAPS por encaminhamento de outros serviços como Unidades Básicas de Saúde (UBS), hospitais gerais, SAMU 192, Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24h) e Serviços de Assistência Social, Educação ou Justiça.

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