Embora frequentemente associados à beleza e à forma física, os músculos podem até ajudar a salvar a sua vida. Garantir massa muscular favorece a saúde metabólica, longevidade e qualidade de vida. Músculos ajudam a regular a glicemia, prevenir osteoporose, proteger articulações e ainda funcionam como reserva metabólica em casos de doenças graves.
Benefícios comprovados
Segundo um estudo publicado na revista científica Endocrinology and Metabolism, o músculo esquelético é um órgão metabolicamente ativo que interage com outros órgãos. A atividade física regular e o exercício físico promoveriam o aumento da massa muscular e a liberação de substâncias que resultariam em efeitos positivos tanto no controle da glicose quando no das gorduras. Ou seja, quando o indivíduo se movimenta, está trabalhando mais do que imagina em prol de sua saúde: ele desenvolve uma proteção muscular que libera moléculas sinalizadoras que influenciam o fígado, o tecido adiposo, o pâncreas, os ossos, o coração e o cérebro, melhorando a saúde cardiovascular.
Não é à toa que atividades de fortalecimento muscular foram associadas a uma redução de 10% a 17% no risco de mortalidade por todas as causas, doenças cardiovasculares, câncer em geral, diabetes e câncer de pulmão, independentemente de atividades aeróbicas, conforme um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine.
De acordo com a pesquisa, são indicados aproximadamente 30 a 60 minutos por semana de atividades de fortalecimento muscular. Além disso, o risco de diabetes diminuiu acentuadamente com até 60 minutos por semana do mesmo tipo de exercício. Quando esse cuidado é deixado de lado, as consequências começam a aparecer.
Como a perda muscular acelera o envelhecimento?
O envelhecimento biológico é acompanhado por declínios tanto na massa quanto na função muscular esquelética, condição denominada sarcopenia. Segundo um artigo recente, publicado na revista Clinical Science, as consequências dessas perdas podem ser muito prejudiciais tanto nos desfechos clínicos (por exemplo, mortalidade, fragilidade e complicações pós-tratamento) quanto nos sociais, como manutenção da independência.
Diante desse cenário, a boa notícia é que a perda muscular é evitável. Outra revisão publicada na revista Nutrients apontou que fatores como alimentação adequada, ingestão de proteínas, prática de exercícios e até o equilíbrio da microbiota intestinal desempenham um papel fundamental na preservação da saúde muscular ao longo da vida.
“É importante ressaltar que uma estratégia personalizada é essencial, principalmente quando se trata de uma população específica e diversificada como a de idosos. Eles precisam de um programa de treinamento bem estruturado e cuidadosamente administrado, além de uma dieta com ou sem suplementação, ajustada às suas necessidades específicas”, aconselha o estudo.
Esse problema não preocupa somente os idosos. A população geral, sem boa manutenção dos músculos, também pode perder em caso de hospitalizações, principalmente as de longa duração ou UTI. Em dez dias após a internação do paciente, a perda muscular já é verificável, principalmente do quadríceps, segundo a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB).
“Além disso, cerca de 20% a 70% deles apresentam baixa massa muscular no momento da sua admissão na UTI. Já os casos de atrofia muscular estão associados à pior mortalidade, aumento do tempo de internação hospitalar e na UTI”, diz a entidade.
Embora não exista uma quantidade mínima de massa muscular que garanta boa saúde, os malefícios da falta dela estão comprovados e indicam a importância de cada pessoa buscar formas de preservá-la ao longo da vida, independentemente da idade.
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