Você sabia que o álcool pode danificar o cérebro e aumentar o risco de uma pessoa desenvolver demência? Conforme a Alzheimer’s Society, principal instituição de caridade do Reino Unido dedicada à demência, o consumo de bebidas alcoólicas está associado à redução do volume da substância branca do cérebro, responsável pela transmissão de sinais entre diferentes regiões cerebrais.
Por isso, segundo a organização, o consumo de álcool, principalmente 14 unidades por semana, e por um longo período, pode reduzir o tamanho das áreas do cérebro envolvidas na memória. E mais: ingerir 28 unidades por semana pode levar a um declínio mais acentuado das habilidades cognitivas com o avançar da idade.
Mas é importante lembrar: o limite de 14 unidades por semana não corresponde a 14 doses. Cada unidade representa 10 ml de álcool puro e a quantidade muda de acordo com a bebida. Desta forma, respeitar o limite das 14 unidades significa, por exemplo, beber até um copo de cerveja ou uma taça pequena de vinho por dia — mas é crucial compreender que não existe dose segura para o consumo de álcool.
Deficiência de vitamina B1
O estudo ainda indica que o consumo excessivo de álcool a longo prazo pode resultar em deficiência de vitamina B1 (ou tiamina), essencial para o metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas, sendo crucial para o funcionamento do sistema nervoso, coração e para a produção de energia.
Além disso, a deficiência de B1 pode afetar a memória de curto prazo através da síndrome de Wernicke-Korsakoff. Isso acontece porque o álcool impede que o corpo obtenha tiamina suficiente, que é vital para o bom funcionamento das células cerebrais. E essa falta da pode ter efeitos graves e duradouros no cérebro.
Não existe idade para o cuidado
O risco de demência é menor em pessoas que adotam hábitos saudáveis na meia-idade, entre 40 e 65 anos, de acordo com a Alzheimer’s Society. Segundo a organização, as medidas para reduzir o risco incluem manter-se ativo, ter uma alimentação saudável e exercitar a mente. Saiba mais os cuidados para prevenção:
- Evite álcool: beber muito e de uma só vez expõe o cérebro a altos níveis de substâncias químicas nocivas. Além disso, pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, publicaram um estudo no periódico BMJ Evidence Based Medicine em 2025 que afirma: mesmo o consumo moderado de álcool não reduz a chance de demência, que aumenta com a quantidade de álcool consumida. Segundo o texto, cada consumo adicional de uma a três bebidas alcoólicas por semana aumentou em 15% o risco.
- Faça exercícios físicos: faz bem para o coração, a circulação, o peso e o bem-estar mental. Combine atividades aeróbicas e atividades de fortalecimento muscular.
- Não fume: fumar causa muitos danos à circulação sanguínea em todo o corpo, particularmente aos vasos sanguíneos do cérebro, bem como ao coração e aos pulmões.
- Mantenha-se mental e socialmente ativo: o isolamento social também pode aumentar o risco de uma pessoa desenvolver demência.
- Monitore sua saúde: certas condições de saúde, como hipertensão, colesterol alto ou diabetes podem aumentar a chance de demência.
Para garantir esses cuidados, é importante fazer um check-up médico regular e buscar o apoio de amigos e familiares. Faça refeições nutritivas, introduza exercícios físicos em sua rotina e garanta interações sociais para fortalecer a capacidade do cérebro de aliviar o estresse e melhorar o humor. E claro, evite o consumo de álcool.
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Referências:
