Com promessa de emagrecimento, medicamentos falsificados oferecem riscos à saúde

Os efeitos da crise climática já são perceptíveis na rotina das pessoas, mesmo quando moram longe dos grandes desastres naturais
Luiza Adorna
Publicado em 15/12/2025 - 12:42 - Revisado em 16/12/2025 - 14:18

Em setembro de 2025, a Polícia Civil descobriu que criminosos utilizavam uma betoneira para misturar substâncias de remédios para emagrecer. Os criminosos agiam desde a fabricação até a comercialização de medicamentos terapêuticos e medicinais falsificados, distribuídos em diferentes estados brasileiros. 

Com os preços elevados do Mounjaro, — medicamento para diabetes tipo 2 aprovado neste ano pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento de sobrepeso e obesidade — muitas pessoas buscam soluções alternativas com valores mais acessíveis. Porém, o uso de remédios falsificados ou adulterados é extremamente perigoso para a saúde e envolve riscos como intoxicação, efeitos adversos e agravamento de doenças. 

No final de julho, a Polícia Civil de São Paulo também fechou um laboratório clandestino usado para fabricar ilegalmente medicamentos para emagrecimento. Os insumos eram comprados no Paraguai e os remédios eram fabricados sem autorização. Foram apreendidas substâncias utilizadas no tratamento de diabetes, além de seringas, canetas aplicadoras de insulina, ampolas, frascos, tubos e instruções detalhadas de manipulação. 

Nas redes sociais ou em sites duvidosos, promessas de resultados rápidos e preços baixos escondem substâncias sem controle, muitas vezes misturadas com produtos tóxicos. Segundo o Ministério da Saúde, para descobrir se um produto está regularizado junto à Anvisa, basta acessar o Sistema de Consultas do órgão. Para verificar a autorização de um produto, você deve clicar na categoria à qual ele pertence. 

Como identificar medicamentos falsificados

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o mercado global de medicamentos falsificados movimenta mais de 200 bilhões de dólares por ano. Por esse motivo, em maio de 2025, a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) lançou uma Cartilha de Conscientização aos Consumidores. O documento foi elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio do Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP). Um dos pontos abordados é como identificar um medicamento falsificado. Observe sinais como: 

  • Erros de ortografia na embalagem; 
  • Lacres ou selos danificados ou ausentes; 
  • Embalagem com tinta borrada ou rótulo mal colado; 
  • Código de lote ilegível ou vencimento apagado; 
  • Preço muito abaixo do praticado em farmácias confiáveis. 

Manter esses cuidados é importante para evitar prejuízos financeiros e, principalmente, riscos à saúde. O ideal é sempre utilizar medicamentos com orientação médica e adquirir os produtos em farmácias regularizadas.

Leia mais: Vício em apostas também pode ser perigoso para a saúde pública

Referências:

https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2025/09/05/betoneira-foi-usada-para-misturar-substancias-de-remedios-falsos-para-emagrecer-apreendidos-em-operacao-diz-policia.ghtml

https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/policia-fecha-laboratorio-clandestino-de-remedios-para-emagrecer-em-sp/

https://www.gov.br/secom/pt-br/fatos/brasil-contra-fake/noticias/2024/como-descobrir-se-um-produto-e-realmente-autorizado-pela-anvisa

https://movidospelasaude.com.br/2025/08/14/a-falsificacao-de-medicamentos-e-uma-ameaca-real-a-vida-diz-presidente-da-interfarma/