Esclerose múltipla: como identificar a doença que afeta 40 mil brasileiros

Doença neurológica autoimune ataca o sistema nervoso central e costuma se manifestar entre os 20 e os 40 anos
Luiza Adorna
Publicado em 02/06/2026 - 18:00

Os sintomas da esclerose múltipla (EM) em muitos casos podem ser graves. Em outros, são tão triviais que o paciente pode não procurar assistência médica por meses ou anos. Por isso, pode ser difícil identificar a doença, que afeta cerca de 40 mil brasileiros.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica, crônica e autoimune, que costuma se manifestar entre os 20 e os 40 anos de idade. Em resumo, as células de defesa do organismo atacam o próprio sistema nervoso central, provocando lesões cerebrais e medulares. De acordo com o Ministério da Saúde, sua causa não é bem compreendida, envolvendo fatores genéticos e ambientais. 

“O diagnóstico de EM é complexo, uma vez que não existe marcador ou teste diagnóstico específico, sendo baseado na documentação de dois ou mais episódios sintomáticos (devem durar mais de 24 horas e ocorrer de forma distinta) separados por período de no mínimo um mês. Exames radiológicos e laboratoriais (especialmente a ressonância magnética (RM) podem compor o diagnóstico”, diz a pasta. 

Sintomas da esclerose múltipla

Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem), a condição não tem cura e pode se manifestar através de diversos sintomas, como fadiga intensa, depressão, fraqueza muscular, alteração do equilíbrio da coordenação motora, dores articulares, disfunção intestinal e da bexiga. 

Além disso, podem surgir alterações fonoaudiológicas no início da doença ou no decorrer dos anos, com sintomas como fala lentificada, palavras arrastadas, voz trêmula, disartrias, pronúncia hesitante das palavras ou sílabas, bem como dificuldade para engolir líquidos, pastosos ou sólidos. 

Pacientes também costumam apresentar transtornos visuais, com visão embaçada ou dupla. Aliás, a soma de diferentes fatores, muitas vezes, provoca confusão na hora de identificar a condição por conta das diferentes possibilidades. 

Tratamento da esclerose múltipla

O tratamento da esclerose múltipla visa a melhora clínica e o aumento da capacidade funcional do paciente. Conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Esclerose Múltipla, publicado em 2023 pelo Ministério da Saúde, ele pode ser complexo, envolvendo ação coordenada de múltiplos profissionais da saúde, com o uso de condutas medicamentosas e não medicamentosas. 

Em prol da qualidade de vida, além dos remédios indicados individualmente a partir de cada caso, o tratamento também passa por condutas terapêuticas, conduzidas por profissionais como fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e médicos de diferentes especialidades. 

Pacientes com esclerose múltipla devem ser atendidos em serviços especializados, para seu adequado diagnóstico, inclusão no protocolo de tratamento e acompanhamento. Eles também devem ser avaliados periodicamente quanto à eficácia do tratamento e desenvolvimento de toxicidade aguda ou crônica. Se você tem a doença ou desconfia dos sintomas, procure uma unidade básica de saúde para receber a melhor orientação. 

De acordo com a organização Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME), o diálogo é a ponte para que nenhuma pessoa precise conviver com uma doença autoimune sozinha. Por isso, buscar informações sobre o tratamento é o primeiro passo para uma vida mais digna.

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