Do ventilador ligado à dengue: sinais silenciosos da crise climática

Do derretimento das geleiras a eventos climáticos extremos, o aquecimento global — em pauta na COP30 em Belém (PA) — causa diversos prejuízos em todo o mundo. Mas, se antes pareciam distantes, hoje seus danos são claramente perceptíveis no nosso cotidiano. Não é preciso morar em áreas devastadas por enchentes ou outros fenômenos naturais para […]

Luiza Adorna
Publicado em 15/12/2025 - 17:53 - Revisado em 25/03/2026 - 12:30

Do derretimento das geleiras a eventos climáticos extremos, o aquecimento global — em pauta na COP30 em Belém (PA) — causa diversos prejuízos em todo o mundo. Mas, se antes pareciam distantes, hoje seus danos são claramente perceptíveis no nosso cotidiano.

Não é preciso morar em áreas devastadas por enchentes ou outros fenômenos naturais para sentir os estragos da crise climática. Inicialmente, os sinais podem parecer pequenos, porém preocupam e já provocam impactos variáveis na vida das pessoas, conforme indicam estudos.

Consequências do aquecimento global 

Dias mais quentes, contas de energia mais altas, aumento no preço dos alimentos e até questões de saúde são sinais de que o aquecimento global saiu da lista de previsões e entrou na rotina. O calor extremo, por exemplo, agrava problemas crônicos e favorece arboviroses como a dengue.

Segundo relatório The Lancet Countdown, com as mudanças climáticas, a dengue pode ampliar em até 37% o seu potencial de transmissão em todo o planeta. Afinal, a alta temperatura acelera o ciclo de vida do Aedes aegypti, e períodos de seca seguidos por chuvas intensas criam ambientes propícios para o acúmulo de água, extremamente favoráveis à proliferação do mosquito.

Além disso, pesquisas apontam que ondas de calor estão ligadas ao aumento de doenças respiratórias, cardiovasculares, neurológicas e renais. Isso acontece porque, quando está muito quente, os batimentos cardíacos aceleram, a pressão sobe e a desidratação se torna mais frequente, impactando quem já sofre com enfermidades crônicas.

Impacto chega na mesa

Além de intensificar os males relacionados ao calor e à poluição do ar, o aquecimento global atinge a produção de alimentos, interferindo na disponibilidade, no preço e na competitividade. As mudanças climáticas ainda podem reduzir as áreas adequadas para o cultivo de certas culturas, devido a alterações na qualidade do solo.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), nos últimos 60 anos, regiões do Nordeste e do Centro do país apresentaram redução de cerca de 30% na média de chuvas, enquanto no Sul houve aumento de quase 40%. Ou seja, uma realidade que ocasiona uma série de impactos na produção agrícola de modo direto e indireto. 

É por isso que, mesmo que às vezes os prejuízos possam parecer silenciosos, o aquecimento global não é um problema do futuro: seus efeitos já estão afetando o dia a dia das pessoas. Resta entender que proteger o planeta também é proteger vidas.

Leia mais: Ecoansiedade: como a crise climática afeta a nossa saúde?

Referências:

https://lancetcountdown.org/2024-report/

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/fevereiro/como-as-mudancas-climaticas-estao-favorecendo-a-disseminacao-do-aedes-aegypti

https://g1.globo.com/meio-ambiente/cop-30/noticia/2025/08/11/quais-doencas-podem-crescer-com-o-aquecimento-global.ghtml

https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/2024/04/impactos-da-mudanca-do-clima-na-producao-de-alimentos-sao-debatidos-durante-conferencia-1