A síndrome de burnout envolve irritabilidade, sofrimento psicológico e sintomas físicos, como dor de barriga, cansaço excessivo e tonturas. Agora imagine um profissional da enfermagem passando por isso num ambiente já tão desafiador, como hospitais e postos de saúde. É por isso que o burnout de enfermeiras e enfermeiros pode ser considerado um problema de saúde pública, pois afeta a saúde mental dos profissionais e a qualidade do cuidado.
Os sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico são resultantes de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. Não é por menos que, em 2025, o burnout foi incluído na lista de doenças ocupacionais na nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11) da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Burnout entre profissionais de enfermagem
Segundo um estudo publicado na revista científica BMC Nursing, um terço dos enfermeiros em todo o mundo apresenta alto nível de exaustão emocional (33%), um quarto apresenta alto nível de despersonalização, quando o profissional perde a empatia e se distancia emocionalmente (25%), e um terço apresenta baixo nível de realização pessoal (33%).
Aliás, conforme uma pesquisa divulgada na revista científica JAMA Health Forum, o burnout em profissionais da saúde está associado à alta rotatividade de pessoal e preocupações com a segurança do paciente. Além disso, eles citam falta de confiança na capacidade da gestão para resolver problemas relacionados ao cuidado do paciente e consideram melhorias no quadro de funcionários e nos ambientes de trabalho mais importantes para sua saúde mental do que a implementação de programas de bem-estar.
O tratamento é realizado com psicoterapia, mas também pode envolver medicamentos, como antidepressivos e/ou ansiolíticos. No contexto da enfermagem, o cenário ideal seria os hospitais priorizarem mudanças nas condições de trabalho, oferecerem programas de comunicação e gestão do estresse, terem maior controle sobre a carga horária e buscarem ouvir o profissional para entender o que está causando o esgotamento.
Sintomas do burnout
De acordo com o Ministério da Saúde, o estresse e a falta de vontade de sair da cama ou de casa, quando constantes, podem indicar o início da doença. Uma dica é conversar com amigos próximos e familiares, que podem ajudar a reconhecer o problema.
Confira os sinais que merecem atenção:
- cansaço excessivo, físico e mental;
- dificuldade de concentração;
- sentimentos de incompetência;
- dor de cabeça frequente;
- alterações no apetite;
- sentimentos de fracasso e insegurança;
- alterações repentinas de humor;
- alteração nos batimentos cardíacos;
- insônia;
- negatividade constante;
- isolamento;
- dores musculares;
- pressão alta;
- sentimentos de derrota e desesperança;
- fadiga;
- problemas gastrointestinais.
Além das intervenções mencionadas, a atividade física regular e os exercícios de relaxamento são bons aliados para aliviar o estresse e amenizar esses sintomas. Também é aconselhado que o paciente, após diagnóstico médico, se afaste do trabalho temporariamente e desenvolva atividades de lazer com pessoas próximas.
Se você está passando por esse problema ou conhece alguém que precisa de ajuda, a orientação é procurar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do Sistema Único de Saúde (SUS), apta a oferecer, de forma integral e gratuita, todo tratamento, desde o diagnóstico até os medicamentos. Os Centros de Atenção Psicossocial são os locais indicados pelo Ministério da Saúde.
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