Síndrome de burnout na enfermagem: um problema de saúde pública

Enfermeiros estão entre as categorias profissionais com maior prevalência de burnout no mundo
Luiza Adorna
Publicado em 16/06/2026 - 18:00

A síndrome de burnout envolve irritabilidade, sofrimento psicológico e sintomas físicos, como dor de barriga, cansaço excessivo e tonturas. Agora imagine um profissional da enfermagem passando por isso num ambiente já tão desafiador, como hospitais e postos de saúde. É por isso que o burnout de enfermeiras e enfermeiros pode ser considerado um problema de saúde pública, pois afeta a saúde mental dos profissionais e a qualidade do cuidado.

Os sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico são resultantes de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. Não é por menos que, em 2025, o burnout foi incluído na lista de doenças ocupacionais na nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11) da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Burnout entre profissionais de enfermagem 

Segundo um estudo publicado na revista científica BMC Nursing, um terço dos enfermeiros em todo o mundo apresenta alto nível de exaustão emocional (33%), um quarto apresenta alto nível de despersonalização, quando o profissional perde a empatia e se distancia emocionalmente (25%), e um terço apresenta baixo nível de realização pessoal (33%). 

Aliás, conforme uma pesquisa divulgada na revista científica JAMA Health Forum, o burnout em profissionais da saúde está associado à alta rotatividade de pessoal e preocupações com a segurança do paciente. Além disso, eles citam falta de confiança na capacidade da gestão para resolver problemas relacionados ao cuidado do paciente e consideram melhorias no quadro de funcionários e nos ambientes de trabalho mais importantes para sua saúde mental do que a implementação de programas de bem-estar.  

O tratamento é realizado com psicoterapia, mas também pode envolver medicamentos, como antidepressivos e/ou ansiolíticos. No contexto da enfermagem, o cenário ideal seria os hospitais priorizarem mudanças nas condições de trabalho, oferecerem programas de comunicação e gestão do estresse, terem maior controle sobre a carga horária e buscarem ouvir o profissional para entender o que está causando o esgotamento. 

Sintomas do burnout

De acordo com o Ministério da Saúde, o estresse e a falta de vontade de sair da cama ou de casa, quando constantes, podem indicar o início da doença. Uma dica é conversar com amigos próximos e familiares, que podem ajudar a reconhecer o problema. 

Confira os sinais que merecem atenção: 

  • cansaço excessivo, físico e mental;
  • dificuldade de concentração;
  • sentimentos de incompetência;
  • dor de cabeça frequente;
  • alterações no apetite;
  • sentimentos de fracasso e insegurança;
  • alterações repentinas de humor;
  • alteração nos batimentos cardíacos;
  • insônia;
  • negatividade constante;
  • isolamento;
  • dores musculares;
  • pressão alta;
  • sentimentos de derrota e desesperança;
  • fadiga;
  • problemas gastrointestinais.

Além das intervenções mencionadas, a atividade física regular e os exercícios de relaxamento são bons aliados para aliviar o estresse e amenizar esses sintomas. Também é aconselhado que o paciente, após diagnóstico médico, se afaste do trabalho temporariamente e desenvolva atividades de lazer com pessoas próximas. 

Se você está passando por esse problema ou conhece alguém que precisa de ajuda, a orientação é procurar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do Sistema Único de Saúde (SUS), apta a oferecer, de forma integral e gratuita, todo tratamento, desde o diagnóstico até os medicamentos. Os Centros de Atenção Psicossocial são os locais indicados pelo Ministério da Saúde.

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