Câncer de colo do útero afeta 19 mil brasileiras por ano

Terceiro câncer mais prevalente em mulheres pode ser evitado através da vacinação contra o HPV e exames de rastreamento
Luiza Adorna
Publicado em 13/04/2026 - 18:02

O câncer de colo do útero é uma doença que pode ser prevenida através de vacina. Contudo, no Brasil, ainda é o terceiro tumor que mais afeta a população feminina, o que mais mata mulheres até os 35 anos, e o segundo mais letal até os 60 anos. Por dia, 20 pessoas morrem no país em decorrência da doença — totalizando mais de 7 mil óbitos anuais. 

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) prevê 19 mil casos anuais para o período de 2026 a 2028, o que representa um aumento de 14% em relação ao triênio anterior.

O assunto foi discutido durante a abertura da Casa Lilás, ação que marcou o início do Março Lilás, mês de conscientização sobre o câncer de colo do útero. O evento foi promovido pela farmacêutica MSD com apoio da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

Mas o conhecimento sobre a importância da vacina ainda é limitado. “A informação não está chegando onde tem que chegar. A mortalidade por câncer de colo de útero é a mesma nas últimas décadas. E em muitos estados, até subiu”, disse Valentino Magno, ginecologista, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro da Febrasgo, na ocasião.

Relação com o HPV e importância da vacinação

O HPV (papilomavírus humano) é responsável por 99% dos casos de câncer de colo do útero. Por isso, a vacinação contra o vírus é a principal forma de prevenir a doença e faz parte da estratégia global de eliminação da doença. Alguns países como Austrália, Suécia, Ruanda e Noruega, dentre outros, caminham a passos largos para a erradicação do câncer do colo do útero em seus territórios.

A vacina está disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Eventualmente, estende-se a faixa etária até 19 anos. Grupos prioritários — como pessoas imunossuprimidas, pacientes oncológicos, vítimas de violência sexual, pessoas com papilomatose respiratória recorrente (PRR) a partir dos dois anos e usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) de 15 a 45 anos — também podem se vacinar na rede pública.

Outras pessoas podem tomar a vacina na rede privada. A imunização é recomendada até os 45 anos de idade. 

Embora alguns pais tenham receio de vacinar os filhos cedo, já que o HPV é uma infecção sexualmente transmissível (IST), o objetivo é justamente protegê-los antes que eles tenham qualquer contato com o vírus. Os especialistas destacam que estimular a proteção nada tem a ver com estimular atividade sexual precoce.

“É muito interessante porque realmente é a história do tabu. A gente tem uma outra vacina que evita câncer, que não é a vacina do HPV: a vacina de hepatite B, que o bebê recebe ainda na maternidade, e evita o câncer hepático. E ninguém tem tabu com isso. Mas a parte ginecológica é um tabu, o sexo é o tabu. Então, é só a gente dizer: é uma vacina que previne câncer. E não tem o início da atividade precoce com a vacina, isso já é provado”,  afirmou Susana Aidé, ginecologista e presidente da Comissão Nacional de Vacinas da Febrasgo. 

Exames de rastreamento 

Além da vacina, também é importante realizar os exames de rotina, como o teste DNA-HPV — disponível no SUS desde o ano passado —, que está substituindo o papanicolau, por ser um exame mais sensível. Enquanto o papanicolau identifica lesões causadas pelo HPV, o teste DNA-HPV detecta a presença do vírus, mesmo se não houver lesões.

O rastreamento é recomendado dos 25 aos 64 anos. Se a pessoa tiver um teste DNA-HPV negativo, ela deve realizá-lo novamente em cinco anos. Se o teste for positivo, deve ser realizada a colposcopia — se forem detectados os tipos 16 e 18, que são mais agressivos — ou o papanicolau (citologia reflexa), se forem detectados outros tipos. Na presença de lesões pré-cancerígenas, será feito o seguimento adequado, como biópsia e tratamento das lesões. Na ausência, o exame deve ser repetido em um ano. 

Sintomas e tratamento do câncer de colo do útero 

Normalmente, o câncer de colo do útero não provoca sintomas na fase inicial. Quando eles surgem, podem incluir:

  • sangramento durante ou após a relação sexual;
  • sangramento entre menstruações ou depois da menopausa;
  • corrimento vaginal com sangue ou mau cheiro. 

Em casos avançados, pode haver ainda: 

  • dor na região pélvica; 
  • cansaço intenso; 
  • problemas nos rins;
  • inchaço e dor nas pernas. 

O tratamento vai depender do estágio da doença e pode envolver diferentes intervenções, como radioterapia, quimioterapia, terapia-alvo e cirurgia para retirada do tumor ou, em casos avançados, para remoção do útero (histerectomia). 

Quando o câncer de colo do útero é diagnosticado precocemente, há alta chance de cura.